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Fonte : Revista Rétroviseur. 24 horas de Le Mans: esta corrida ainda está na memória de todos que tomaram conhecimento do ocorrido na prova. Esta foi, sem dúvida, a grande tragédia de toda a historia de competições automobilísticas. Esta edição trágica consagra a primeira participação de um certo Colin Chapman ao volante de um Lótus Type IX de sua concepção. Até 1957, Chapman se interessa apenas pelas competições onde suas barquetas Type XI e XV começam a se distinguir. Mas para criar projetos mais ambiciosos é preciso incrementar os recursos financeiros para a Lotus. Então por que não desenvolver uma Lotus GT já que esta nova categoria é anunciada para o ano de 1958. É a ocasião de abandonar o processo artesanal, e logo após o lançamento da Seven vendida em kit, Chapman apresenta durante o outono de 1957 no salão de Londres, sua revolucionária Berlineta Type 14 denominada “Elite”, a primeira de uma série de lançamentos cujo nome começaria com a letra “E”. Os observadores são unânimes em chamar a atenção de todas as virtudes do GT. Seu estilo, fluidez, elegância, proporcionalidade e raça são totalmente originais. O sucesso de suas linhas é devido a um amigo de Chapman, Peter Kirwan-Taylor um financista que também se envolve em projetos. Não havia a hipótese de se lançar um projeto de tubos e placas de alumínio como o da Elite em projetos anteriores. Até esta época o uso de material plástico na construção de automóveis se limitava apenas a carrocerias montadas sobre chassis tubulares, como nos Corvettes. Ninguém havia ousado associar este material a uma estrutura mono coque. Chapman combinou a montagem do material plástico reforçado pela fibra de vidro e o poliéster. Para o motor Chapman ainda inova escolhendo o motor Coventry Clímax de 4 cilindros, um motor concebido para bombas de combate a incêndio, que se destacava pela leveza e rendimento elevado.Diversos estágios de preparação são trabalhados, atingindo a potencia de 125 cv alimentados por dois carburadores Weber. Quatro freios a disco e suspensão independente nas rodas. Os primeiros modelos apresentam dificuldades na montagem devido a variações de qualidade e medidas. A empresa de construção náutica Maximar é substituída pelo construtor aeronáutico Bristol. Vários desentendimentos com o “Automobile Club de L’Ouest’ marcaram a trajetória de Colin Chapman, até que em 1962 a ACO rejeitou a aceitação da famosa Lótus 23 de Jim Clark, avaliada como pouco segura, o que provocou uma profunda aversão do patrão por esta prova de endurance. Ainda em 1962, é a Lótus Elite, o primeiro GT da marca que com brilhante sucesso obtêm o oitavo lugar na classificação geral, no meio de Porsche, Jaguar e Ferrari, competidores duas ou três vezes mais possantes. Chapman aplica sua regra ao pé da letra: “A caça ao peso supérfluo graças à utilização de técnicas avançadas” o que não exclui a presença do problema de confiabilidade. Mas o patrão tinha uma regra de ouro: “O melhor carro de corrida é aquele que quebra após ultrapassar a linha de chegada”. De construção e preços de vendas muitos caros, e sem falar na manutenção, a Lótus Elite é produzida até 1963, constituindo em um desastre comercial. Apenas aproximadamente mil unidades são fabricadas, antes que Chapman, no fim de 1962, lance a Élan, para a qual ele retorna a técnica de chassis separado, a rentabilidade e aos lucros. Cem por cento sensual, mas penetrar a bordo de uma Elite requer dorso flexível, leveza no movimento das pernas e vértebras resistentes. Ao primeiro giro do motor do Lótus Elite S2 de 1962, com escapamento mais liberado, o som grave do Coventry Clímax invade o habitáculo. Em movimento, percorrendo as pequenas estradas, a caixa de cambio do MG A se mostra precisa, mas um pouco lenta e com uma relação de diferencial muito curta. Excelente pela vivacidade das retomadas. Percorrendo uma rodovia sinuosa a 90 km por hora em quarta marcha tem-se a sensação de estar bem mais veloz. Sentada sobre o solo, à medida que a cadencia aumenta a magia da Elite se apresenta. Viva e leve ela parece literalmente agarrar-se ao solo. Uma pressão do polegar sobre a direção ultra-direta (duas voltas de uma extremidade a outra) e assim como um prolongamento do braço ela vira tomando o ângulo da curva. Impressionante... Graças a uma direção de precisão diabólica, a Elite demonstra uma eficácia extraordinária. Todas as observações desfavoráveis que se possa fazer como o ruído, o desconforto no habitáculo e acabamento espartano, desaparecem diante do seu verdadeiro caráter: trata-se de um autentico clássico feito para as pistas.
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